A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, entre quarta (24) e quinta-feira (25), a última fase da Operação Omertà, que investiga uma organização criminosa suspeita de praticar extorsões, sequestros, torturas, ameaças e lavagem de dinheiro na Serra Gaúcha. A ofensiva resultou na prisão de seis investigados em Caxias do Sul.
A ação foi coordenada pela 1ª Delegacia de Polícia de Caxias do Sul, com apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), encerrando uma investigação que durou cerca de oito meses.
Grupo utilizava violência para cobrar dívidas
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa atuava realizando cobranças de dívidas por meio de grave ameaça, intimidação e violência física. Empresários e pessoas físicas da região teriam sido vítimas de extorsões e pressões para efetuar pagamentos ilegais.
As investigações apontam que, em alguns casos, os criminosos chegaram a efetuar disparos de arma de fogo contra estabelecimentos comerciais, monitorar a rotina das vítimas e ameaçar familiares para forçar o pagamento das quantias exigidas.
Investigação identificou estrutura organizada
Durante as apurações, os policiais identificaram uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções entre os integrantes. Havia responsáveis pela coordenação das cobranças, arrecadação dos valores, execução das ameaças e movimentação financeira dos recursos obtidos de forma ilícita.
A investigação também revelou que parte dos envolvidos continuava atuando mesmo a partir do sistema prisional, utilizando terceiros para movimentar recursos e ocultar a origem do dinheiro.
Justiça bloqueia R$ 8 milhões
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 8 milhões em ativos financeiros e o sequestro de dois veículos ligados aos investigados.
De acordo com a Polícia Civil, as medidas buscam enfraquecer financeiramente a organização criminosa, preservar eventual ressarcimento às vítimas e garantir a efetividade das futuras decisões judiciais.
Operação já soma 23 presos
Com as seis prisões desta fase, a Operação Omertà totaliza 23 investigados presos desde o início das investigações. Nas etapas anteriores, outras 17 pessoas já haviam sido capturadas. Um investigado permanece foragido.
O nome da operação faz referência ao termo italiano “Omertà”, conhecido como o código de silêncio associado às organizações mafiosas, simbolizando o ambiente de intimidação imposto às vítimas e testemunhas.
A Polícia Civil destacou que a operação representa mais um avanço no combate às organizações criminosas envolvidas em extorsões patrimoniais, violência contra empresários e lavagem de dinheiro na Serra Gaúcha.
